quarta-feira, 9 de março de 2016

Capítulo 23

Acordei bem cedo no domingo, fiz minhas higienes, me arrumei, escrevi um bilhete pro Bruno e saí, estava decidida a ir a casa dessa pessoa, eu precisava de conselhos de alguém experiente e maduro, bati na porta, me atenderam e fui levada até a sala de jantar onde a dona Marizete estava tomando café, ela sorriu ao me ver.
Marizete: Clarissa, que surpresa, sente e tome café comigo. – puxei uma cadeira e sentei – A que devo a honra da visita? Não te vejo faz tanto tempo.
Clarissa: Passei um tempo no Rio de Janeiro, o Luan e eu terminamos como a senhora já deve saber, ando com a cabeça confusa, queria conversar com alguém. – nesse momento o Luan apareceu, deu um beijo na testa da mãe e olhou pra mim.
Luan: O que você tá fazendo aqui?
Clarissa: Vim visitar sua mãe, não sabia que você tava aqui, já tô indo. – levantei.
Marizete: Não, pode ficar querida. – o Luan pegou uma maçã.
Luan: Pode ficar aí, vou pro meu lugar mãe. – e saiu.
Clarissa: Não sabia que ele tava aqui. – sentei novamente.
Marizete: Ele está morando comigo desde que você se foi, ele me conta tudo, sei que é filha do Marcos, sei que está namorando, sei que brigaram no carro do Luan, sei tudo. – baixei a cabeça com um pouco de vergonha – Também sei de coisas que não me contaram.
Clarissa: Tipo o que?
Marizete: Sei que meu filho ama você e sei que você o ama também, vejo em seu olhar.
Clarissa: Quem ama não trai.
Marizete: Não vou defendê-lo por ser meu filho, mas você já parou pra ouvi-lo?
Clarissa: Não preciso ouvir mentiras, eu vi tudo.
Marizete: Certeza que viu tudo? Não estou dizendo que meu filho é inocente, mas se ele tivesse traído você ele seria honesto, teria pelo menos me dito, o Luan não mente pra mim.
Clarissa: Tem certeza?
Marizete: Sei que era uma acompanhante de luxo que fez um acordo para se casar com o Luan, sei também que ele ficava com aquela ex-esposa do Marcos, que Deus o tenha. – fiquei impressionada – Clarissa, sei que está magoada, mas você precisa parar pra analisar os fatos, você está com esse rapaz para esquecer meu filho, mas está adiantando? E você acha certo usar uma pessoa que não tem nada haver com vocês? Meu filho está bebendo muito, ele sai e só chega no outro dia, ele fazia isso antes mas agora está pior, quando você estava com ele o Luan se tornou uma pessoa melhor. Não estou pedindo pra que volte pra ele, apenas peço que o ouça, e ouça o seu coração também, esqueça um pouco da raiva e da razão, dê um pouco de ouvidos ao sentimento.
Concordei e fiquei pensando no que ela havia dito, ela tinha razão. Tomamos café e ela me chamou pra passear em seu jardim, andamos um pouco por lá, era muito grande e bonito, um pouco distante avistei o Luan.
Clarissa: O que ele está fazendo?
Marizete: Tiro ao alvo, ele faz isso desde pequeno. Vá lá ver, vá falar com ele, quebre esse clima entre vocês.
Clarissa: Não sei.
Marizete: Nossa conversa foi em vão?
Balancei a cabeça negativamente e fui até lá, notei vários alvos, alguns mais perto, outros mais distantes, quando me aproximei ele tirou uma flecha de uma espécie de mochila que estava em suas costas, posicionou no arco e atirou, ele acertou bem no meio do alvo.
Clarissa: Uau, você é bom. – ele olhou pra mim e sorriu de lado – Não sabia que você gostava disso.
Luan: Tem muita coisa sobre mim que você não sabe. – respirei fundo mas continuei.
Clarissa: Não é um esporte meio antigo?
Luan: Sim, mas foi o único que me chamou atenção realmente, gosto de futebol e outros esportes, mas esse é a minha paixão. Quer tentar? – ele me olhou.
Clarissa: Eu?
Luan: É, ou você tenta atirar ou eu boto uma maçã na sua cabeça como alvo – começamos a rir.
Clarissa: Vou tentar então.
Ele me deu o arco e eu segurei, peguei uma flecha e tentei posicionar, mas eu era muito desajeitada, então ele ficou por trás de mim e me ajudou, senti seu corpo junto ao meu e aquilo me causou arrepios, juro que senti minha perna tremer, nem preciso mencionar que as borboletas do meu estômago estavam a mil, né?! Ele segurou minha mão e me ensinou a posicionar a flecha no arco, e me mandou puxar a flecha pra trás esticando a linha do arco, segurei firme e ele soltou minha mão, continuei segurando o arco e a flecha.
Luan: Agora mire e solte. – mirei, soltei e acertei na linha preta do alvo – Muito bom pra uma iniciante.
Clarissa: Foi divertido. – ele continuava atrás de mim e eu virei de frente pra ele, estávamos rindo e nossos olhares se encontraram, ficamos nos olhando por um tempo e fomos nos aproximando, até que meu celular toca no meu bolso, era o Bruno, desliguei, depois eu iria retornar.
Luan: Era o meu urso? – ele riu e se afastou de mim.
Clarissa: Não fala assim.
Luan: Por que não atendeu?
Clarissa: Não quis. Luan, quero atirar mais vezes.
Luan: Pode vim sempre que quiser, contanto que venha sozinha, não me simpatizo com seu namorado.
Clarissa: Certo, tenho que ir. – estava indo quando ele me chamou, meu coração acelerou.
Luan: Clarissa!
Clarissa: Sim?
Luan: Os papéis do divórcio já estão em andamento. – senti um aperto e dei um sorriso de lado meio triste.
Clarissa: Certo. – virei e fui embora.

Fui pra casa e o Bruno tava deitado na cama vendo TV.
Bruno: Onde você tava?
Clarissa: Te deixei um bilhete avisando que fui andar um pouco.
Bruno: Eu li, mas você ficou esse tempo todo andando por aí?
Clarissa: Foi, parei numa padaria e comi alguma coisa também.
Bruno: Hum.
Clarissa: Vou tomar um banho. – tomei um banho bem demorado pensando na minha manhã com o Luan. Passei o dia vendo TV com o Bruno, sem pegação, apenas assistindo.

No dia seguinte fomos trabalhar, na minha mesa havia uns papéis que eu não entendi muito bem o que significava, resolvi pedir ajuda, abri a porta do Luan sem bater e a Camila estava lá, eles estavam discutindo, não ouvi direito o motivo da discussão porque eles perceberam a minha presença e pararam de falar.
Clarissa: Desculpe, não sabia que estava ocupado. – virei pra ela – Camila, querida, a que devo a honra da sua visita a minha empresa?
Camila: Sem falsidade pro meu lado, por favor.
Clarissa: Eu? Falsa com você? Pensei que fôssemos amigas, afinal frequentávamos o mesmo salão, não é mesmo? – comecei a rir e ela se aproximou de mim com raiva.
Camila: Pode rir a vontade, Clarissa, ria enquanto pode. – e saiu batendo a porta com força.
Camila: Nossa, tô morrendo de medo dela. – falei rindo.
Luan: Ela ainda acha que tem direito a alguma coisa, coitada.
Clarissa: E o que ela veio fazer aqui?
Luan: Ela quer que eu dê um jeito de tirar você da empresa, quer dinheiro, quer abusar de mim sexualmente, essas coisas. – rimos – E você, o quer?
Clarissa: Ah, não tô entendendo muito bem o que esses papéis querem dizer. – entreguei os papéis a ele e sentei na sua frente, ele começou a me explicar tudo o que eu precisava saber – Valeu mesmo, agora entendi tudo.
Luan: Parece complicado, mas é bem simples, qualquer dúvida pode vim falar comigo. – balancei a cabeça positivamente e levantei – Ah, Clarissa, quarta-feira é aniversário da minha mãe, você não quer jantar com a gente? Ela gosta muito de você.
Clarissa: Darei um jeito de ir.
Voltei pra minha sala e o Bruno não estava lá. Terminei meu trabalho e já estava na hora de ir, porém nada do Bruno aparecer, liguei mil vezes e só dava desligado, fiquei preocupada, mas fui pra casa, ele podia ter se sentido mal e foi pra casa, mas quando cheguei lá não havia ninguém, tentei ligar de novo e continuava desligado. Meia-hora depois ele chega.
Clarissa: Onde você estava?
Bruno: Fui resolver umas coisas minhas.
Clarissa: E por que não me avisou?
Bruno: Era urgente, Clarissa.
Clarissa: Podia ter deixado o celular ligado.
Bruno: Descarregou.
Clarissa: Hum, ok. Vou fazer algo pra gente jantar.
Bruno: Já comi na rua. – ele subiu, tomou um banho e deitou.
O Bruno estava muito estranho e eu iria descobrir o motivo. Fiz um sanduíche, comi e fui dormir.

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